Não é de hoje que observamos os alarmantes índices de fechamento de empresas ou negócios no Brasil. Embora seja uma realidade mais fortemente presente nas pequenas empresas, percebemos algumas razões comuns para o insucesso de empresas de quaisquer porte.
Geralmente as empresas são concebidas por pessoas ou grupos que foram competentes em identificar nichos de mercado, demandas latentes ou ainda pela sua capacidade de produzir produtos e serviços em mercados já comoditizados, porém a custos competitivos.
Mesmo com resultados aparentemente satisfatórios, mercados consolidados e modus operandi estabelecido após muita dedicação e dispêndio financeiro, muitas empresas – em especial as startups e pequenas empresas – deparam-se com dilemas e grandes dificuldades ao tentarem êxito em suas expansões.
Qualquer crescimento pressupõe, individualmente, ou de forma conjugada, um aumento das vendas, do preço médio vendido e/ou uma diminuição dos custos fixos e variáveis das empresas. Este crescimento preconiza, entre outros fatores, uma grande fidelidade ao planejamento estratégico, aos orçamentos de receita e despesas correlatos e, sobretudo, a um marketing eficiente, dotado das melhores ferramentas de comunicação e relacionamento. Suportados por pessoas motivadas, engajadas e competentes, forma-se uma espiral positiva para o negócio.
Todavia, muitas vezes percebemos que esta espiral se paralisa justamente no momento que as empresas precisam crescer, fazendo-as vivenciarem aumento de custos, quedas de rentabilidade e evoluções de faturamento que não lhes permitem o crescimento sustentável financeiramente. Soma-se a este contexto a desmotivação das pessoas, a baixa auto-estima contagiante, a redução dos níveis de serviço e qualidade dos produtos, culminando em quadros críticos também no âmbito de geração de caixa, podendo inclusive comprometer o valor da empresa no mercado. Neste ponto, muitas empresas acabam por encerrar suas atividades, findando-se o sonho de um negócio outrora promissor, tornando-se muitas vezes um estorvo e insustentável financeiramente.
Sem a intenção de encerrar uma análise causal mais precisa no entorno destas questões, percebemos frequentemente dois fatores que podem ser catalisadores da criticidade em questão – a falta da gestão de processos e ausência da visão de gerenciamento de projetos nas empresas e de seus líderes.
O renomado especialista Gart Capote clarifica a gestão de processos como sendo uma abordagem disciplinar dos processos de negócios (identificar, desenhar, executar, documentar, medir, monitorar, controlar e melhorar) visando o alcance de bons resultados para a empresa.
Em outras palavras, de uma pequena empresa de bairro a uma grande empresa multinacional, torna-se imprescindível formalizar e entender seus processos, propiciando ter uma visão clara da cadeia de valor intrínseca ao negócio, o melhor engajamento das pessoas, a redução de custos, a agilidade e qualidade de produtos e serviços, bem como dispor de condições controladas para o balão de ensaio de melhorias.
No que tange ao gerenciamento de projetos, os empreendedores e gestores precisam ter claro discernimento entre a operação diária de suas atividades e os projetos que forem caminhos para a resolução de entraves, crescimento ou mesmo sobrevivência das empresas. Ter a visão de projetos significa converter os principais problemas e anseios das empresas em batalhas a serem vencidas pelas mesmas, onde cada uma delas pode ser representada por um projeto.
Sempre é importante lembrarmos que cada projeto deve ter seu escopo muito bem definido, com responsáveis devidamente identificados, cronogramas, orçamentos, planos de mitigação de riscos, acompanhamento de seu desenvolvimento físico e financeiro, bem como impactos esperados na operação da empresa.
Uma vez desmistificados os conceitos de gestão de processos e visão de projetos, é crucial observarmos que os mesmos são aplicáveis em empresas de qualquer porte e atividade, uma vez que todas as empresas dispõem de processos e projetos, ainda que informais ou não documentados.
É mister gizar que, ao enfrentar o dilema do crescimento, muitas empresas e empreendedores sucumbem pela falta de preparação prévia para este momento. A gestão de processos, bem como a visão de projetos, requerem pessoas motivadas e habilitadas para tal, procedimentos, documentações, treinamentos e estruturações que certamente acarretarão em custos e provavelmente temporária redução dos lucros nas pequenas empresas e nos negócios a que se apliquem, em detrimento de um futuro mais promissor, manutenção de melhores rentabilidades e consolidação dos negócios.
O crescimento sobre a plataforma de boa gestão em processos e projetos pode alavancar uma empresa, permitindo-a crescer de forma profissional, estruturada e sustentável, capacitando-a inclusive, em alguns casos, a replicar seu modelo no formato de franchising.
MBA ENG. RICARDO MARTINS SOARES
FUNCIONAL COMPETÊNCIA EMPRESARIAL
Ricardo Martins Soares é engenheiro civil formado pela ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO/USP, com especialização em Gestão de Recursos Hídricos pela EPUSP, MBA em Gestão Empresarial pela FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS/FGV e MBA em Finanças pela FUNDAÇÃO DOM CABRAL/FDC. Atua há 20 anos como executivo e consultor em gestão em empresas de pequeno, médio e grande porte no Brasil e exterior.
